O Porto é uma cidade que se revela aos poucos. Depois de incontáveis visitas à Cidade Invicta, foi apenas este ano que visitei o Museu do Porto – Casa do Infante. Já estava nos planos há mais tempo, mas ainda não se tinha proporcionado.
Saí do hostel pela manhã, desci as ruas íngremes da Sé, e fui seguindo o curso natural das ruas que me empurravam em direção ao rio. Ali, junto à Ribeira, dei finalmente de caras com a Casa do Infante. Ao entrar, a senhora que se encontrava na receção sorriu para mim e desejou-me uma boa visita. Afinal, era domingo, dia em que a entrada é gratuita.
A Casa do Infante não é um museu óbvio. Não tem filas intermináveis como a Livraria Lello, nem vistas deslumbrantes como a Torre dos Clérigos. Mas é isso, talvez, que lhe dá mais encanto. Isso e os seus mosaicos romanos, paredes medievais, e documentos quase esquecidos no tempo. E, claro, ter sido o local de nascimento do Infante D. Henrique. Mas já lá vamos.

Antes de ser Casa do Infante: Alfândega Régia e Casa da Moeda
A Casa do Infante foi construída em 1325 por ordem do rei D. Afonso IV, com o propósito de servir como Alfândega Régia. O edifício original teria duas torres, unidas por um pátio central.
A alfândega teve, então, um papel crucial na administração fiscal da cidade, permitindo centralizar a cobrança de impostos sobre os bens e mercadorias que chegavam à cidade do Porto. A sua localização, próxima do rio Douro, facilitava o controlo do comércio fluvial durante a Idade Média.
Também aqui se instalou a Casa do Selo da Alfândega. Hoje, podemos ver parte da estrutura de um forno, usado para fundir os selos de chumbo com que eram seladas as mercadorias.
Para além de Alfândega, o edifício acolheu a Casa da Moeda a partir de 1369. A moeda era necessária não só para as atividades comerciais, mas também para o pagamento de pensões, cerimónias, obras públicas e, por vezes, empreendimentos bélicos.
Ao longo do museu, podemos ver maquetas do edifício, documentos da administração régia, e diversas peças arqueológicas. Vários produtos, utilizados no dia-a-dia das pessoas da cidade, entravam no Porto através da Alfândega. Estes artefactos, presentes no museu, oferecem uma visão sobre a vida quotidiana e as atividades comerciais da cidade ao longo dos séculos.



Os vestígios romanos na Casa do Infante
A Casa do Infante foi alvo de um extenso processo de restauro na década de 1990. Durante as obras, escavações arqueológicas revelaram vestígios de ocupações anteriores, incluindo estruturas romanas dos séculos IV-V, com magníficos pavimentos em mosaico.
Estes mosaicos estão logo na entrada do museu, no local onde foram inicialmente descobertos, e deixaram-me fascinada. Fiquei parada diante deles por largos minutos. As pequenas pedras, meticulosamente organizadas, desenham padrões quase hipnóticos. Seriam parte de um grande edifício, organizado com volta de um pátio central.

A Casa do Infante como local de nascimento do Infante D. Henrique
As torres do edifício da Alfândega eram consideradas um edifício régio no Porto. Assim, usando o direito de aposentadoria, o Rei D. João I e de D. Filipa de Lencastre aqui se terão instalado durante uma estadia prolongada na cidade em 1394. Logo, o seu filho, o Infante D. Henrique, aqui terá nascido a 4 de março desse ano.
O Infante D. Henrique (1394-1460), foi uma das figuras mais importantes do século XV português. Foi um grande impulsionador das navegações, financiando diversas expedições marítimas. Há uma zona inteiramente dedicada a esta personagem à qual, historiograficamente, não é possível atribuir um rosto.
Esta parte do museu trata as navegações portuguesas sob a perspetiva da cidade do Porto. Ao percorrer a exposição, pus-me a pensar em como o Infante D. Henrique era um símbolo de ambição e expansão. Mas também de colonização e complexidade. Este é, pois, um espaço que nos convida a refletir.


Guia prático
Como chegar
O Museu do Porto – Casa do Infante encontra-se muito próximo da Ribeira e da Praça do Infante D. Henrique, onde está o Palácio da Bolsa e o Mercado Ferreira Borges. É facilmente acessível a pé a partir de várias zonas da cidade.
De metro ou de comboio, a estação mais próxima é São Bento. Já de autocarro, as opções são o 500, 900, 901, 906, ZM, ZR ou 1.
Informação útil
Site: Museu do Porto – Casa do Infante
Horário: De terça-feira a domingo das 10h00 às 17h30
Preço: 4€ entrada geral. Gratuito ao domingo.
Morada: Rua da Alfândega, 10, 4050-029 Porto
Nota: Horários e preços à data de publicação deste artigo.
Alojamento
Já estive no Porto várias vezes, e em todas fiquei em locais diferentes. Na vez em que visitei a Casa do Infante, fiquei alojada no CATS Porto Hostel, num quarto partilhado. Também já pernoitei no Being Porto Hostel e no Asgard Oporto Downtown Apartaments.
No entanto, existem várias opções de alojamento no Porto, para todos os gostos e carteiras. Os locais onde fiquei são perfeitos para quem tem um orçamento mais reduzido. Para uma gama mais elevada, estreita o PortoBay Flores ou o Wine & Books Porto Hotel.




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