As Serras de Aire e Candeeiros escondem segredos no seu interior. Debaixo do solo, temos um novo mundo para descobrir, formado por magníficas grutas esculpidas pela natureza ao longo de milhares de anos. Com diversas salas e galerias trabalhadas pela água e pelo tempo, algumas destas grutas estão prontas para receber visitantes.
As Grutas de Mira de Aire são, sem dúvida, as mais populares de todas, e foram consideradas uma das Sete Maravilhas Naturais de Portugal. No entanto, hoje vamos para além do óbvio. Convido-te, assim, a conhecer as Grutas de Santo António e as Grutas de Alvados.
Estas grutas distam menos de 2 quilómetros uma da outra, e é possível fazer uma visita combinada às duas. É, aliás, o que recomendo. Começaram a formar-se há cerca de 180 milhões de anos, mas as grutas estão vivas: estalactites e estalagmites continuam a nascer e a crescer. Vamos vê-las?


Grutas de Santo António
Ao chegarmos às Grutas de Santo António, o parque de estacionamento estava vazio. Uns segundos depois, um outro carro, com três pessoas no seu interior, aproximou-se. Assim, no total, seríamos 5 a visitar as grutas. Talvez por isso, senti que era uma visita privada.
O ambiente intimista fez que toda a experiência fosse ainda mais especial. A nossa guia começou por explicar que um menino de 5 anos descobriu as Grutas de Santo António em 1955, quando viu um pássaro a entrar por uma fenda. É devido a este acaso que hoje podemos visitar cerca de 6000 m2 destas magníficas grutas.
Iniciámos a visita pelo túnel artificial que desce até uma primeira sala, onde podemos admirar um lago natural. Aqui, achei por bem vestir o casaco que tinha trazido. Afinal de contas, a ventilação natural destas grutas faz com que a temperatura no seu interior ande entre os 16ºC e os 18ºC durante todo o ano.
Seguimos, logo depois, por uma passagem estreita que se abre numa das mais ricas e deslumbrantes salas subterrâneas da Europa. Estima-se que esta sala tenha estado em formação há 50 mil anos, crescendo ao ritmo de um centímetro por século.
Entretanto, a nossa guia convidou-nos usar a imaginação ao olharmos para as deslumbrantes formações que tínhamos à nossa frente. O que víamos ali?
Talvez figuras humanas, como a Nossa Senhora de Fátima, a Cena da Natividade, ou um Buda sentado em posição de lótus. Ou, então, talvez os nossos olhos vejam animais, como lobos a uivar, ursos em pé, e até mesmo sardinhas. Há todo um mundo de pedra por descobrir.



Grutas de Alvados
Após visitarmos as Grutas de Santo António, era altura de seguir para as Grutas de Alvados. Similarmente ao que tinha acontecido nas grutas anteriores, o grupo era muito reduzido: apenas outras 5 pessoas se juntaram a nós para descer ao interior da serra.
O nosso guia começou por explicar que as Grutas de Alvados são constituídas por duas partes, tipicamente chamadas de gruta velha e gruta nova. A gruta velha é conhecida há cerca de quatrocentos anos e, no passado, era usada pelos pastores da região, que aí se abrigavam das intempéries. É aqui que a nossa visita começa.
Já a gruta nova foi encontrada muito mais recentemente, em 1964. Um grupo de trabalhadores das pedreiras da Serra de Aires e Candeeiros descobriram esta parte das Grutas de Alvados por mera curiosidade. Intrigados com o som demorado das pedras a cair através duma fenda, preparam uma primeira descida para ver a sua profundidade. Dois anos mais tarde, as grutas foram abertas ao público.
E ainda bem para nós, porque estas grutas têm uma particularidade que as diferencia das restantes da região. Primeiramente, o seu percurso é em forma de corredor. As paredes altas dão-nos uma sensação de mistério e entusiasmo pelo que está depois da curva. Depois, em cada sala, vamos sendo presenteados com pequenas galerias compostas por belas formações rochosas e lagos naturais.
Também aqui o nosso guia nos convidou a usar a imaginação ao olharmos para as magníficas formações rochosas. Dois namorados aos beijos, amigos de mãos dados, dragões e outras figuras mitológicas, ou até mesmo a Bela Adormecida com o Príncipe Encantado… O reino subterrâneo é cheio de maravilhas.



Guia prático
Como chegar
A forma mais fácil de se chegar às Grutas de Santo António e às Grutas de Alvados é de carro. Deixo as duas opções mais comuns: pela A1 ou pela A8:
Autoestrada A1: saída 7 Torres Novas. Seguir na direcção de Alcanena – Moitas-Venda – Serra de Santo António – Grutas
Autoestrada A8: saída 22 Porto de Mós. Seguir na direcção da Cruz da Légua – Porto de Mós – Alvados – Grutas
Dicas
- Leva roupa e calçado confortáveis, de preferência de caminhada. As grutas são húmidas e o piso pode estar escorregadio.
- Não é má ideia levares um casaco, mesmo se fores no verão. A temperatura nas grutas ronda os 17ºC.
- As visitas são sempre guiadas, não sendo possível visitar as grutas de forma independente. A visita demora entre 25 a 40 minutos em cada gruta.
- A circulação faz-se por vários desníveis, rampas, e lances de escada. Não são grutas adequadas para quem tem mobilidade reduzida.
Informação útil
Site: Só Grutas
Horário: De terça-feira a domingo, das 10h00 às 17h00 de Setembro a Junho. Todos os dias e até às 18h30 em Julho e Agosto.
Preço: 7,40€ para uma das grutas; 10,80€ para visita conjunta às duas grutas (preços detalhados)
Morada: Estrada das grutas – Pedra do Altar, 2480-034 Alvados, Portugal
Nota: Horários e preços à data de publicação deste artigo.
Alojamento
Quando visitei as grutas fiquei alojada em Alcanena, a cerca de 16 quilómetros das Grutas de Santo António (20 minutos de carro). O Hotel Eurosol Alcanena tem uma boa relação qualidade-preço e fica próximo de outros locais interessantes, como a Praia Fluvial de Olhos d’Água ou o Monumento Natural Pegadas dos Dinossauros.
No entanto, as grutas também ficam relativamente perto da Batalha, Alcobaça, Torres Novas, ou Fátima. Assim, qualquer uma destas cidades é uma boa base para vários passeios na região. É só questão de procurares, de certeza que vais encontrar algo que te agrade.




Deixa um comentário