Meio que escondido na tranquila vila de Castro Verde, o Museu da Lucerna abriga uma das maiores coleções de lucernas romanas do mundo. As lucernas são pequenas candeias de barro alimentadas a azeite que iluminavam casas, oficinas, estradas e santuários do Império Romano.
Inaugurado em 2004, o museu ocupa um antigo armazém de cereais da fábrica de moagem Prazeres e Irmão. Ao entrar, somos recebidos por lucernas datadas entre o século I e o III, descobertas em 1994 na povoação de Santa Bárbara de Padrões. Vamos ver mais de perto?

O que é, afinal, uma lucerna?
As lucernas são pequenos recipientes de barro cozido, alimentados com azeite, onde se coloca um pavio. Uma vez aceso, o pavio gera uma chama contínua. Eram muito utilizadas durante o Império Romano.
Do ponto de vista funcional, as lucernas eram fontes de luz, que se podiam facilmente transportar. No entanto, do ponto de vista simbólico, representavam também proteção e ajudavam a conduzir as almas no além. Assim, era comum encontrar lucernas em casas, termas, oficinas e sepulturas. Nas minas, os mineiros usavam-nas para medir o tempo de trabalho.
O aspeto das lucernas pode variar: corpo circular ou oval, com ou sem tampa, com ou sem pega ou argola para transporte. No Museu da Lucerna, há uma grande variedade. Afinal, quase todas as peças são diferentes, com relevos variados.


A descoberta das lucernas romanas
A história desta coleção de lucernas começa em 1994, em Santa Bárbara de Padrões, a poucos quilómetros de Castro Verde. Durante trabalhos arqueológicos nas imediações da igreja, os arqueólogos depararam-se com um grande depósito de lucernas romanas.
A interpretação mais aceite é que se trataria de um depósito secundário associado a um santuário existente nas proximidades, com a finalidade de acolher objetos votivos. A escala do achado é rara, sobretudo devido à diversidade e ao estado e conservação das lucernas encontradas.


A coleção do Museu da Lucerna
A coleção do Museu da Lucerna impressiona não apenas pela quantidade, como pela diversidade decorativa das lucenas. Os motivos gravados vão desde cenas da vida quotidiana romana, como representações de gladiadores, cenas de caça, e atividades agrícolas, até ao rico universo mitológico da Antiguidade, com figuras de deuses, heróis e criaturas fantásticas. Encontramos também representações de animais, tanto domésticos como selvagens, e motivos geométricos elegantes.
Aqui, cada lucerna conta uma história. As decorações não eram meramente ornamentais, mas também carregavam significados simbólicos. Aliás, muitas das peças apresentam iconografia relacionada com símbolos de fertilidade ou divindades protetoras, destinadas a afastar o mal e atrair a boa fortuna.
Para mim, uma das peças centrais da exposição é a recriação da vala das lucernas, onde os arqueológos encontraram estas pequenas lâmpadas. Esta recriação permite-nos visualizar o contexto arqueológico original da descoberta. Só o facto de terem chegado tão bem preservadas até aos nossos dias já é impressionante.



Guia prático
Como chegar
A melhor forma de se chegar ao Museu da Lucerna é de carro. Quando visitei o Museu, estava a fazer o percurso da Estrada Nacional 2, e Castro Verde encontra-se mesmo na rota da estrada, não sendo necessário fazer desvios. No entanto, também é possível chegar a Castro Verde pela A2.
Informação útil
Site: Museu da Lucerna
Horário: De terça-feira a domingo das 10h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30
Preço: Gratuito
Morada: Largo Vitor Guerreiro Prazeres, 7780-218 Castro Verde, Portugal
Importante: Recomendo a marcação prévia de visita guiada, que permite compreender mais profundamente o extraordinário valor histórico e artístico desta coleção.
Nota: Horários e preços à data de publicação deste artigo.
Alojamento
Aquando da minha visita ao Museu da Lucerna, estava a fazer o percurso da Estrada Nacional 2, e fiquei alojada em Faro, no Hotel Sol Algarve by Kavia. É um espaço bem localizado, os funcionários são simpáticos, e considero que tem uma boa relação qualidade-preço.
No entanto, existem algumas opções de alojamento em Castro Verde e arredores, como o Hotel Vila Verde ou o Hotel A Esteva.




Deixa um comentário