Se há algo que define Portugal, além das suas paisagens encantadoras e da sua rica história, é a sua gastronomia. Entre os sabores que conquistam tanto locais como visitantes, o queijo ocupa um lugar de destaque. Em Peraboa, uma pequena freguesia do concelho da Covilhã, encontramos um espaço inteiramente dedicado a este produto: o Museu do Queijo.
Visitar este museu é como imergir na cultura pastoril e na arte de produzir um dos queijos portugueses mais apreciados: o Queijo Serra da Estrela, ou simplesmente Queijo da Serra. Vem pois descobrir tudo o que o Museu do Queijo tem para oferecer, desde a sua história até às experiências que proporciona (e sim, há prova de queijos no final).

O Museu do Queijo como celebração do Queijo Serra da Estrela
Antes de entrarmos no Museu do Queijo, vamos conhecer um pouco melhor este local. Inaugurado em 2011, o museu nasceu da vontade de preservar e divulgar a história da pastorícia e da produção de queijo na região da Serra da Estrela.
Assim, o foco especial deste museu é o Queijo da Serra, um queijo com denominação de origem protegida, e fruto do trabalho secular dos pastores da região. Este queijo é, sem dúvida, um dos produtos mais emblemáticos de Portugal. Feito a partir de leite de ovelha bordaleira, sal e cardo, o Queijo Serra da Estrela é um exemplo de como a simplicidade dos ingredientes pode resultar em algo extraordinário.
O Museu do Queijo é, então, uma ode ao Queijo da Serra, destacando não apenas o produto final, como também todo o processo artesanal envolvido na sua elaboração.

A visita ao Museu do Queijo: do pastoreio das ovelhas ao queijo com pão
Pouco passava do meio-dia quando estacionámos o carro e seguimos as indicações para o Museu do Queijo. À entrada, Andreia, uma brasileira a viver em Portugal há alguns anos, recebeu-nos com um sorriso no rosto.
Andreia guiar-nos-ia pelo museu, onde as visitas são sempre acompanhadas. Desta forma, conseguimos perceber melhor todo o processo do fabrico do queijo, desde o pastoreio das ovelhas até ao produto final.
A vida do pastor
Andreia começou por nos explicar que a Serra da Estrela tem dois tipos de bioclima: temperado nas partes mais altas, e mediterrânico a Este e em alguns vales, onde os invernos são frios e húmidos e os verões secos.
Perceber as características climatéricas da região é importante para conseguirmos imaginar a dureza da vida do pastor. Enquanto caminhávamos pela exposição, Andreia ia-nos mostrando as roupas usadas pelos pastores, o tipo de abrigos que construíam para se protegerem das intempéries, e a importância do cão no pastoreio das ovelhas.
Aqui, vemos também uma série de instrumentos usados pelos pastores. Desde o cajado onde se apoiam até à tesoura para cortar a lã, passando pelas coleiras, chocalhos e barbilhos colocados nas ovelhas.



A arte da queijaria
Continuamos a nossa visita, e vamos agora aprender sobre a produção do queijo, após a ordenha das ovelhas. Andreia contou-nos que, para fazer um bom queijo, nada mais é preciso do que mãos frias, leite, sal e cardo. Surpreendentemente, a flor de cardo serve como coagulante e as mãos frias permitem que o soro saia mais facilmente.
Nesta secção do museu, observamos de perto as diferentes ferramentas utilizadas na produção artesanal do Queijo da Serra, desde a francela até ao acincho. O processo inicia-se com as queijeiras a coarem e aquecerem o leite. Entretanto, a flor do cardo é macerada com sal e água, num almofariz. Este preparado é coado com o leite morno utilizando um coador de pano.
Logo é realizado o corte manual da coalhada, que é transferida, com uma escumadeira, para dentro do acincho em cima da francela, para remoção do soro. Não sabes que nomes são estes de que falo? Eu também não sabia!
O acincho é um molde circular utilizado para espremer o queijo e dar-lhe forma. Tem, pois, vários furos que as queijeiras vão apertando à medida que o soro sai. As mãos frias das queijeiras comprimem o queijo contra a francela, uma mesinha de madeira usada como base para fazer o queijo e depois deixá-lo a secar.


A cura do queijo
Depois de a massa estar bem espremida, é envolvida num pano branco, coloca-se um pouco de sal e o queijo está finalmente pronto para a cura. É nesta fase que o queijo adquire todo o seu sabor e textura.
No Museu do Queijo podemos observar queijos em diferentes fases de cura, assim como aprender os cuidados necessários para garantir a sua qualidade. Andreia contou-nos que o queijo é, primeiro, colocado em local fresco durante 15 a 20 dias, sendo virado diariamente. A segunda fase dura até ao 45º dia, virando o queijo esporadicamente, dependendo do aspecto da crosta.
A nossa guia também nos contou que algum queijo da região é Kosher, sendo produzido segundo os preceitos da religião judaica, onde a cura tem de ser mais longa. E, e já que estamos na região, que tal aproveitar o mote e ir também até Belmonte, onde se encontra o Museu Judaico?


O momento mais esperado: a degustação
À medida que a visita se aproximava do fim, o meu estômago começava a dar sinais de vida, como se soubesse o que estava por vir. Andreia conduziu-nos, então, para a sala de degustação, onde pediu que nos sentássemos. Passado um pouco, voltou com uma tábua de queijos na mão.
À nossa frente tínhamos três queijos diferentes, a saber: um com leite de cabra, outro com leite de cabra e ovelha, e um terceiro com leite de cabra, ovelha e vaca. Ao final da tábua havia pão, para acompanhar. Cada queijo tem a sua personalidade, a sua história, pelo que levámos o nosso tempo a apreciar as subtilezas de aroma e sabor.
Enquanto saboreava cada pedaço, não consegui deixar de pensar que não estava a provar apenas queijos, mas sim séculos de saber e tradição. Saí do Museu do Queijo com um novo apreço pelo trabalho artesanal dos produtores locais e, claro, com alguns queijos debaixo do braço para prolongar o prazer (ou a gula) em casa.
Na próxima vez que estiveres a planear uma viagem pela região da Serra da Estrela, não te esqueças de incluir uma paragem no Museu do Queijo em Peraboa. Esta é uma experiência que ficará certamente gravada tanto na tua memória como no teu paladar.

Guia prático
Como chegar
O Museu do Queijo encontra-se em Peraboa, uma aldeia no concelho da Covilhã, perto da Serra da Estrela. A forma mais fácil de se chegar é de carro, porque a oferta de transportes públicos é limitada. De Lisboa, uma das opções é seguir pela A23 em direcção a Castelo Branco, apanhar a N18 em direcção à Covilhã e depois seguir pela EM506 até Peraboa. De qualquer forma, em caso de dificuldade o GPS irá ajudar.
Informação útil
Site: Museu do Queijo
Horário: De terça-feira a domingo, das 10h30 às 12h30 e das 14h30 às 17h30. Se estiveres a viajar em grupo, será melhor contactar o Museu através da sua página do Facebook, Instagram, telefone, ou e-mail.
Preço: 5€ para adultos | 3,5€ para crianças
Morada: Rua dos Casainhos, 16, 6200-591 Peraboa, Covilhã
Nota: Horários e preços à data de publicação deste artigo.
Alojamento
No dia em que visitei o Museu do Queijo em Peraboa, fiquei numa casa de família perto do Fundão. No entanto, onde há uma maior opção a nível de alojamentos é na Covilhã, a cerca de 20 quilómetros de Peraboa.
Para dar alguns exemplos, o Sport Hotel Gym tem uma relação qualidade-preço. Se tiveres um orçamento mais reduzido, o Paço 100 Pressa é uma boa opção. Para uma gama mais elevada, espreita o Pena D’Água Boutique Hotel ou a Casa das Muralhas.




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