Na Região do Egeu, no sudoeste da Turquia, encontramos um dos locais mais impressionantes do país: Pamukkale. Esta maravilha natural que, em turco, significa Castelo de Algodão, é famosa pelas suas piscinas termais de calcário em terraços brancos. Mas Pamukkale é, também, inseparável da antiga cidade de Hierápolis, hoje um sítio arqueológico de grande importância.
Este cenário singular, onde a geologia e a arqueologia se fundem, está classificado como Património Mundial da UNESCO desde 1988. Após comprarmos os bilhetes e passarmos as cancelas, temos de tirar os sapatos. É aqui que a visita começa, e a água fresca vai-nos acompanhar enquanto subimos a colina. Mas primeiro é importante perceber como Pamukkale e Hierápolis estão interligados.
Pamukkale, o Castelo de Algodão formado pela água
Os incríveis terraços em travertino branco (rocha calcária) são, há muito tempo, uma das paisagens mais fotografadas da Turquia. Os terraços formam-se quando a água das nascentes, rica em cálcio, perde dióxido de carbono ao fluir pelas encostas. Assim, vai deixando depósitos de calcário branco, que deram ao local o nome de Pamukkale, ou Castelo de Algodão.
É fácil de perceber o porquê do nome. Afinal de contas, os terraços e bacias naturais brilham ao sol, num tom branco como algodão. Há, também, quem diga que parece neve. Este processo de água a fluir e a libertar dióxido de carbono é contínuo, o que significa que Pamukkale está em constante transformação, e é esculpido pelo passar do tempo.

Hierápolis, as ruínas de um império
No topo das formações em travertino de Pamukkale ergue-se Hierápolis. Fundada no século II AEC por Eumenes II, rei de Pérgamo, a cidade era famosa pelos seus têxteis, principalmente lã.
Mas foram as nascentes de água que tornaram Hierápolis numa estância termal popular. Durante o período helenístico e, posteriormente, sob domínio romano, a cidade transformou-se num centro terapêutico e espiritual.
Hierápolis atingiu o seu auge entre 196 e 215 EC. Foram construídos grandes edifícios públicos, como teatros, templos, banhos públicos, e uma grande necrópole. Todavia, a cidade acabou por entrar em declínio no século VI, e foi esquecida pelo tempo até às escavações arqueológicas modernas.

O que visitar no complexo de Pamukkale e Hierápolis
Terraços em travertino
Os terraços em travertino são, sem dúvida, a principal razão para a maioria das pessoas ir até Pamukkale, e variam tanto em tamanho quanto em profundidade. Alguns são rasos, permitindo apenas molhar os pés, enquanto outros são mais profundos. A água é fresca, e a paisagem à volta é fantástica.
Para preservar os delicados depósitos de calcite, é proibido utilizar qualquer tipo de calçado. Caminhar com os pés nus sobre o travertino pode ser escorregadio em algumas partes, mas é uma experiência sensorial interessante, como que estivéssemos a receber uma massagem. No entanto, para quem tenha maior sensibilidade nos pés, pode ser um pouco doloroso, especialmente nas zonas mais rugosas.
Algumas zonas dos terraços tornam-se secas quando o fluxo de água é redirecionado. No topo da colina, de onde a maioria das fotografias é tirada, todos os terraços estão atualmente secos. Para mim, continua a ser uma visita impressionante, mas o melhor será moderar as expectativas.


Museu de Hierápolis (Museu dos Banhos Romanos)
Alojado nos antigos banhos romanos, o Museu de Hiéropolis é onde estão algumas das peças encontradas em escavações nesta e noutras cidades da região. Apesar de pequeno, tem uma variedade interessante de artefactos, incluindo estátuas, sarcófagos, e diversas peças usadas no dia-a-dia da cidade.


Piscinas de Cleópatra
Embora não façam parte das formações naturais de Pamukkale, as Piscinas Antigas, também conhecidas como Piscinas de Cleópatra, são um local popular para desfrutar das águas termais. Segundo a lenda, Cleópatra terá nadado nestas águas.
O que torna estas piscinas ainda mais curiosas são as colunas romanas e os fragmentos de mármore que jazem no seu fundo, possivelmente do Templo de Apolo. Ou seja, aqui podemos ter a experiência de nadar entre ruínas submersas.
A entrada é paga à parte, e podemos ver as piscinas antes de decidirmos entrar. A temperatura da água é quente, há cacifos onde podemos deixar os nossos pertences (também eles pagos à parte), assim como chuveiros com água fria. Mesmo junto às piscinas é onde se encontra a zona da restauração e as lojas com lembranças, por isso a zona estará sempre movimentada.

Teatro Romano de Hierápolis
Com capacidade para 15 a 20 000 pessoas, o Teatro Romano é uma das estruturas melhor preservadas da cidade, devido aos esforços de restauro que ocorreram nos últimos anos. As suas bancadas estão viradas para o vale, oferecendo vistas magníficas.
Ainda hoje a acústica do teatro é notável pelo que, especialmente durante o verão, o local serve, ocasionalmente, como palco para concertos ao ar livre.

Necrópole de Hierápolis
Extensa e impressionante, a necrópole de Hierápolis abriga mais de 1 200 campas, desde túmulos e sarcófagos até elaborados mausoléus familiares. A variedade de estilos reflete as diversas culturas que por ali passaram, durante os períodos helenístico, romano, e cristão primitivo. É um dos maiores e mais bem preservados cemitérios antigos da Anatólia.
Martírio de São Filipe
Ainda mais acima do que o Teatro Romano, temos o Martírio de São Filipe, uma estrutura otogonal do século V no local onde se acredita que o apóstolo foi martirizado. É um local de grande importância religiosa, tendo sido, durante muito tempo, um centro de peregrinação cristã.
Os desafios do turismo de massa em Pamukkale e Hierápolis
Pamukkale atrai milhões de visitantes todos os anos, e com razão. É um lugar incrível, que todos merecem apreciar. Mas a pressão turística trouxe consequências sérias no passado, incluindo a erosão de alguns terraços em travertino e a destruição de estruturas arqueológicas.
Nos anos 1990, uma intervenção coordenada pela UNESCO levou à recuperação de algumas áreas e ao controlo do número de visitantes. Ainda assim, e embora a maioria das pessoas cumpra as indicações, vi quem estivesse a tentar percorrer os terraços em travertino de sapatos. Rapidamente foram chamados à atenção, mas é importante seguirmos as regras, para que Pamukkale e Hierápolis possam ser apreciados pelas gerações futuras.

Guia prático
Como chegar
A forma mais comum de se chegar a Pamukkale e Hierápolis é através de Denizli, uma cidade a cerca de 20 quilómetros de distância. Daqui, podemos apanhar um autocarro da Batı Antalya na estação rodoviária de Denizli (Denizli Otogarı) ou, em alternativa, um táxi ou um dolmuş (um pequeno autocarro partilhado).
Para se chegar até Denizli existem várias opções. A estação rodoviária tem ligação direta de autocarro a diversas cidades turcas, incluindo Istambul e Göreme. Uma outra opção é o avião. O aeroporto mais próximo é o Aeroporto de Denizli Çardak (DNZ), que recebe voos de Istambul e de outras grandes cidades turcas. Do aeroporto, podemos apanhar um táxi ou um shuttle para Pamukkale, que fica a cerca de 65 quilómetros de distância.
Muitas agências de viagens oferecem excursões organizadas de um dia a Pamukkale e Hierápolis a partir de cidades como Esmirna, Antália, Kemer, Izmir ou Kusadasi. Esta pode ser uma opção conveniente se não te quiseres preocupar com a logística e estiveres numa dessas cidades. No entanto, com essa opção não irás conseguir percorrer Pamukkale e Hierápolis ao teu ritmo.
Para evitar as multidões e o calor intenso, aconselho a visitar Pamukkale de manhã cedo. Assim, a melhor opção será dormir uma noite em Denizli, e ir até ao complexo perto do horário da abertura.
Dicas
- Reserva um dia inteiro para visitares o complexo com tranquilidade.
- Leva roupa e calçado confortáveis, assim como chapéu ou boné. A zona das ruínas romanas é extensa.
- Se quiseres mergulhar na Piscina da Cleópatra, leva também fato de banho e toalha.
- Leva um saco ou mochila para guardar os sapatos quando estiveres a atravessar os travertinos.
- Não te esqueças de levar água e alguma comida, pois as opções no complexo são poucas.
- Considera contratar um guia local ou utilizar um audioguia.
- A entrada junto à cidade não é adequada para quem tem mobilidade reduzida. Existe uma outra entrada, mais afastada, chamada entrada norte. Aí, há um parque de estacionamento e o caminho é mais plano. Em baixo, deixo a localização exata dessa entrada.
Informação útil
Site: Hierapolis Pamukkale Archeological Museum
Horário: Todos os dias das 8h00 às 20h30
Preço: 30€
Morada: Pamukkale Örenyeri, Pamukkale/Denizli, Turquia
Importante: O MuseumPass dá para mais de 350 museus em toda a Turquia, incluindo Pamukkale e Hierápolis. Dependendo dos locais que queiras visitar, pode valer a pena comprar o passe em vez de comprar os bilhetes individuais.
Nota: Horários e preços à data de publicação deste artigo.
Alojamento
Aquando da minha visita a Pamukkale, fiquei alojada no Hotel Sahin. Os funcionários são simpáticos e o hotel está muito bem localizado, mesmo em frente ao complexo, e tem vistas extraordinárias, em especial da zona do pequeno-almoço. Todavia, o hotel apenas tem escadas e o pequeno-almoço é no último piso, pelo que não é uma opção adequada para quem tenha mobilidade reduzida.
Mas existem várias opções de alojamento em Pamukkale, por isso de certeza que vais encontrar algo que te agrade.




Deixa um comentário