Galeria Mineira do Piso 30 Parque Mineiro de Aljustrel Portugal Mundo Indefinido

Visitando o Parque Mineiro de Aljustrel, no subsolo alentejano

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No Baixo Alentejo, onde as planícies douradas se estendem até ao infinito e o tempo corre de forma mais lenta, o Parque Mineiro de Aljustrel destaca-se do resto da paisagem. Aqui, temos contacto direto com milhares de anos de exploração mineira.

Ao chegar à receção, Fátima recebeu-nos com um sorriso no rosto. Estava extremamente feliz por nos ver. Durante a manhã, tínha-nos enviado um e-mail a dizer que não seria possível realizar a visita, que exige sempre marcação, devido ao calor intenso que se fazia sentir. No entanto, durante a tarde as coisas mudaram um pouco, e contactou-nos novamente a dizer para irmos. Ali estávamos, a fim de descer à mina.

Mas antes de embarcarmos nesta viagem até ao subsolo, seguindo os passos da guia Cristina, vamos conhecer um pouco da história da mineração em Aljustrel.

Entrada Parque Mineiro de Aljustrel Portugal Mundo Indefinido

Da mineração no Império Romano ao Parque Mineiro de Aljustrel

Aljustrel tem uma longa tradição mineira, com exploração de recursos desde a Pré-História. Nessa altura, as comunidades locais recolhiam o minério à superfície. Contudo, foi com a chegada dos romanos que a atividade se intensificou. Chamavam a este lugar Vipasca, e daqui extraíam sobretudo cobre. Ainda hoje podemos ver as Tábuas de Vipasca, que revelam a organização administrativa e económica das minas romanas.

Após a queda do Império Romano, a atividade mineira decaiu. Durante a Idade Média, houve pequenas explorações ocasionais, mas foi só no século XIX, quando houve uma procura sem precedentes por minerais, que a mina voltou a ter grande importância.

A chegada da companhia belga Société Anonyme Belge des Mines d’Aljustrel, em 1898, marcou o início de uma era de prosperidade que transformaria a paisagem e a sociedade local. As minas de Aljustrel tornaram-se, assim, num dos principais centros de produção de pirite da Europa.

Durante este período, a vida em Aljustrel girava em torno das minas. O apito que anunciava as mudanças de turno regulava o ritmo diário da população, e as festas e tradições locais entrelaçavam-se com o calendário mineiro.

A mineração gerou emprego, atraiu trabalhadores de diferentes regiões e até originou a construção de bairros para mineiros e suas famílias, com escolas e hospitais. Ao mesmo tempo, foi também palco de lutas sociais, greves e reivindicações laborais, que eram confrontadas com resistência e prisão.

Inaugurado oficialmente a 4 de dezembro de 2023, Dia de Santa Bárbara (padroeira dos mineiros), o Parque Mineiro de Aljustrel permite compreender não apenas os aspetos técnicos da mineração, mas também a dimensão humana e social desta atividade. E sim, a mina ainda funciona 24 horas por dia.

Poço Romano Parque Mineiro de Aljustrel Portugal Mundo Indefinido

O que esperar da visita ao Parque Mineiro de Aljustrel

Visitar o Parque Mineiro de Aljustrel é, diria, uma experiência multisensorial. No exterior, temos os contrastes entre o branco das casas alentejanas e o vermelho-escuro da terra rica em minério, com as estruturas industriais parecendo esculturas de ferro no horizonte.

No interior, o silêncio da galeria que podemos visitar é apenas interrompido pelo som dos passos, numa atmosfera que outrora foi dominada pelo ruído das picaretas e das máquinas. Aqui, a temperatura diminiu e as paredes frias, guardando as marcas do trabalho humano, são símbolo de uma vida dura.

Visitar locais como este exige alguma sensibilidade. O Parque Mineiro de Aljustrel é, acima de tudo, um espaço de memória: honra trabalhadores e as suas famílias, e recorda os custos ambientais e sociais da extração mineira.

Malacate de Vipasca

Antes de entrarmos no complexo do Parque Mineiro de Aljustrel, vemos o Malacate de Vipasca. Esta impressionante estrutura metálica é um dos símbolos mais emblemáticos do património mineiro de Aljustrel. Não é mais do que uma torre de extração, utilizada para içar o minério e transportar os mineiros entre a superfície e as galerias subterrâneas, mas é também um testemunho notável da engenharia industrial do século XX.

Parque Mineiro de Aljustrel Portugal Mundo Indefinido

Centro de Receção e Interpretação do Parque Mineiro de Aljustrel

O ponto de partida da visita é o Centro de Receção e Interpretação, onde se encontra uma exposição permanente sobre a história da mineração em Aljustrel. É aqui que os guias esperam por nós, e nos dão um saco com um capacete e um colete, que temos de colocar durante a visita ao subsolo. Atualmente, há 4 guias a trabalhar no Parque Mineiro de Aljustrel.

Cristina, a nossa guia, levou-nos pela exposição permanente, onde nos explicou toda a história das minas. Vimos um pequeno vídeo, assim como fotografias de arquivo, ferramentas utilizadas ao longo dos séculos, e documentos históricos que ajudam a contextualizar a importância das minas de Aljustrel. Foi também aqui que Cristina nos falou sobre o Hino dos Mineiros.

Este hino teve origem em Espanha e foi adotado pelos mineiros de Aljustrel, sendo posteriormente adaptado ao Cante Alentejano. É um hino extremamente forte, que desperta emoções.

Centro de Interpretação Parque Mineiro de Aljustrel Portugal Mundo Indefinido

Central de Compressores

O ponto seguinte da visita é a imponente Central de Compressores, com a sua arquitetura industrial característica. Como o nome indica, este edifício alberga os potentes compressores que eram responsáveis pela ventilação das minas e pelo funcionamento dos martelos pneumáticos.

A preservação dos equipamentos originais, com os compressores e o complexo sistema de tubagens, permite-nos vislumbrar a escala e a complexidade das operações mineiras.

Nesta central, Cristina disse que podíamos experimentar pegar num dos antigos martelos pneumáticos. Agarrei logo a oportunidade e senti, durante breves segundos, o que os mineiros sentiam ao longo de anos de trabalho árduo. Não é uma vida fácil.

Central de Compressores 01 Parque Mineiro de Aljustrel Portugal Mundo Indefinido
Central de Compressores 02 Parque Mineiro de Aljustrel Portugal Mundo Indefinido

Chapéu de Ferro de Algares

O Chapéu de Ferro das massas de Algares é um minério maciço, totalmente oxidado e exposto à superfície. Com uma extensão de cerca de 900 metros, com 35 metros de largura máxima, esta formação geológica foi explorada de forma intensa durante a época romana, através de poços e galerias. Havia, então, ferro na zona de oxidação (chapéu de ferro), prata na base do chapéu, e cobre na zona de enriquecimento secundário.

Infelizmente, devido ao calor intenso, acabámos por não visitar este espaço na sua totalidade. Assim, fica a promessa de um regresso, para percorrer todos estes passadiços a céu aberto.

Parque Mineiro de Aljustrel exterior Portugal Mundo Indefinido

Descida à Galeria Mineira do Piso 30

O ponto alto de qualquer visita ao Parque Mineiro de Aljustrel é, sem dúvida, a descida a uma galeria mineira. Apesar da mina ainda estar em atividade, a Galeria Mineria do Piso 30 foi adaptada especialmente para visitas do grande público.

As visitas podem ter, no máximo, 25 visitantes. Nós tivemos a sorte de sermos apenas 5, o que permitiu ver tudo com mais calma, e tirar todas as dúvidas com a nossa guia Cristina. Para além disso, uma das nossas companheiras da visita era filha de um mineiro, que tinha trabalhado nestas minas há vários anos. As suas histórias pessoais enriqueceram tremendamente a visita.

Equipados com colete e capacete, descemos. Cristina disse-nos que tínhamos escolhido um bom dia: a galeria estava húmida, o que permitia uma melhor visualização dos minerais. Debaixo de terra, as cores têm significados. Azul significa concentrado de cobre, castanho significa que há ferro, e amarelo significa enxofre.

Os cerca de 30 metros de profundidade percorridos revelam um mundo fascinante de túneis, galerias e câmaras onde gerações de mineiros extraíram o precioso minério. Saímos das minas com uma nova apreciação pelo trabalho dos mineiros.

Galeria Mineira do Piso 30 Parque Mineiro de Aljustrel 01 Portugal Mundo Indefinido
Galeria Mineira do Piso 30 Parque Mineiro de Aljustrel 02 Portugal Mundo Indefinido
Galeria Mineira do Piso 30 Parque Mineiro de Aljustrel 03 Portugal Mundo Indefinido
Galeria Mineira do Piso 30 Parque Mineiro de Aljustrel 04 Portugal Mundo Indefinido

Guia prático

Como chegar

A melhor forma de se chegar ao Parque Mineiro de Aljustrel é de carro. Quando visitei o Parque, estava a fazer o percurso da Estrada Nacional 2, e Aljustrel encontra-se mesmo na rota da estrada, não sendo necessário fazer desvios. No entanto, também é possível chegar a Aljustrel pela A2, seguindo depois pela N261.

Informação útil

Site: Parque Mineiro de Aljustrel
Horário: De terça-feira a domingo das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30
Preço: 10€ (preços detalhados)
Morada: Centro de Receção e Interpretação do Parque Mineiro de Aljustrel, Vale de Oca, 7600-020 Aljustrel

Importante: As visitas são sempre guiadas, e é necessário fazer marcação prévia através do e-mail parquemineiro@mun-aljustrel.pt ou do telefone +351 284 009 131.

Nota: Horários e preços à data de publicação deste artigo.

Alojamento

Aquando da minha visita ao Parque Mineiro de Aljustrel, estava a fazer o percurso da Estrada Nacional 2, e fiquei alojada em Aljustrel, no LAM Hotel Villa Aljustrel. É um espaço bem localizado, os funcionários são simpáticos, e considero que tem uma boa relação qualidade-preço.

No entanto, existem algumas opções de alojamento em Aljustrel e arredores, como a Herdade da Boavista ou a Casa do Ti’Xico.

Alojamento em Aljustrel

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