Corniche Rabat Marrocos Mundo Indefinido

Roteiro de 9 dias de carro por Marrocos

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Desde a primeira vez que fui a Marrocos, em 2021, já estive mais de dez vezes no país, em cidades diferentes. Algumas vezes a trabalho, outras apenas para passear, a verdade é que há sempre boas desculpas para um regresso.

Ora, a minha família quis visitar este país onde eu já tinha ido tantas vezes, e fizemos um roteiro de 9 dias pelas cidades imperiais, com uma ida ao deserto. Partimos de Lisboa até Marraquexe, alugámos carro com motorista e fizemos um percurso circular.

Realizámos esta viagem durante o mês do Ramadão (nono mês do calendário islâmico, no qual a maioria dos muçulmanos pratica o jejum do nascer ao pôr-do-sol). Todavia, não tivemos qualquer problema em encontrar locais para comer. O que tivemos, no entanto, foi um tempo chuvoso que nos obrigou a alterar alguns planos. Ainda assim, foi uma viagem inesquecível.

Para mim, sugerir roteiros de viagem é sempre difícil, porque cada pessoa tem ritmos, interesses e orçamentos diferentes. Assim, encara este roteiro em Marrocos – que representa o percurso que eu fiz com a minha família – como um ponto de partida para organizares o teu próprio itinerário, de acordo com os teus gostos, orçamento, e tempo disponível.

Dito isto, vamos então ao meu itinerário de 9 dias por Marrocos.

Vale do Dades 01 Marrocos Mundo Indefinido
Vale do Dades 02 Marrocos Mundo Indefinido

Resumo do roteiro

  • Dia 1: Marraquexe
  • Dia 2: Casablanca e Rabat
  • Dia 3: Rabat e Chefchaouen
  • Dia 4: Chefchaouen e Fez
  • Dia 5: Fez
  • Dia 6: Ifrane, Vale do Ziz, e Erg Chebbi (Saara)
  • Dia 7: Erg Chebbi e Oásis Hassilabied
  • Dia 8: Gargantas do Todra, Vale de Dades, e Ouarzazate
  • Dia 9: Alcácer (Ksar) Aït-Ben-Haddou e Marraquexe

O meu roteiro em Marrocos (9 dias)

Dia 1: Marraquexe

Chegámos a Marraquexe vindos de Lisboa, mesmo a tempo de ir almoçar na Praça Jemaa el-Fnaa, num dos terraços com excelentes vistas panorâmicas. Percorremos a praça, negociámos nos mercados tradicionais, e fomos até à Mesquita Koutoubia. E, claro, andámos pela medina (centro histórico), vivendo a cidade com todos os nossos sentidos.

Marraquexe tem muito para conhecer. O ideal será reservar pelo menos 3 dias para a cidade, mas em apenas 1 dia já conseguimos sentir a alma da apelidada Cidade Vermelha.

Isto porque eu acredito que o encanto de Marraquexe não está apenas nos monumentos ou pontos de interesse, mas sim nos pequenos momentos: uma conversa com um comerciante local, um magnífico pôr-do-sol num dos terraços da Jemaa el-Fnaa, ou o simples acto de deambular pelas ruelas da medina.

Dormida em Marraquexe: Riad 117

Alojamento em Marraquexe

Marraquexe Marrocos Mundo Indefinido
Praça Jemaa el Fnaa 02 Marraquexe Marrocos Mundo Indefinido

Dia 2: Casablanca e Rabat

No segundo dia por Marrocos, saímos de Marraquexe pelas 9h30, depois de Ahmed colocar as malas no tejadilho do carro. Ahmed foi o nosso motorista durante todo o percurso, sempre com um sorriso pronto e uma vontade infindável de comunicar connosco em português.

O destino final seria Rabat, mas iríamos ter uma paragem em Casablanca. Costumo dizer que Casablanca não é uma cidade bonita. Não tem dos melhores mercados de Marrocos, nem das medinas mais interessantes do país. Para além disso, o trânsito é insuportável e, em hora de ponta, podemos levar mais de duas horas até conseguirmos sair da cidade. Foi, aliás, o que nos aconteceu.

O que Casablanca tem, no entanto, é uma das maiores e mais ornamentadas mesquitas do mundo. A Mesquita Hassan II é a única em Marrocos onde não-muçulmanos podem entrar. Sempre em regime de visita guiada e em horários específicos, mas é uma visita que vale muito a pena.

Chegámos a Rabat já próximo do final do dia, mas ainda aproveitámos para percorrer a medina, que àquele hora se encontrava cheia de vida.

Dormida em Rabat: Riad Zyo

Alojamento em Rabat

Mesquita Hassan II Casablanca Marrocos 01 Mundo Indefinido
Mesquita Hassan II Casablanca Marrocos interior 01 Mundo Indefinido

Dia 3: Rabat e Chefchaouen

Na manhã do terceiro dia, começámos por fazer uma visita ao Kasbah dos Udaias, aquele que é um dos meus sítios preferidos em Rabat. Construído no século XII pela dinastia Almóada, o Kasbah dos Udaias é hoje um dos locais de locais de encontro em Rabat, onde o passado se mistura com o presente.

Daqui fomos até à Torre de Hassan, que começou a ser construída no século XII mas nunca chegou a ser terminada. Hoje, podemos ver o minarete incompleto e uma série de pilares, que nos dão uma ideia da dimensão que o espaço iria ter se a construção tivesse sido concluída.

Visitámos, em seguida, o Mausoléu de Mohammed V, que se encontra mesmo em frente à Torre de Hassan. Aqui, temos os túmulos do Rei Mohammed V e dos seus dois filhos: o Rei Hassan II e o Príncipe Abdallah. Mohammed V foi o primeiro Rei de Marrocos independente, depois do país ter deixado de ser um protectorado francês e espanhol em 1956. 

Depois de visitarmos o mausoléu, seguimos viagem até Chefchaouen, onde iríamos pernoitar. Chegámos já ao final do dia, depois de cerca de 4 horas de caminho, e a chuva acompanhou-nos durante todo o percurso. Assim, a visita à cidade teria de esperar pela manhã seguinte.

Dormida em Chefchaouen: Dar Yakout

Alojamento em Chefchaouen

Kasbah dos Udaias Rabat Marrocos Mundo Indefinido
Torre de Hassan 01 Rabat Marrocos Mundo Indefinido
Mausoléu de Mohammed V 01 Rabat Marrocos Mundo Indefinido

Dia 4: Chefchaouen e Fez

O quarto dia começou com uma visita guiada por Chefchaouen, hoje apelidada de pérola azul de Marrocos. O nosso guia local levou-nos a percorrer as ruas da cidade, enquanto nos explicava as diferentes versões das casas serem pintadas de azul, e a herança judaica que ainda está muito presente por ali.

O plano inicial era que, depois de Chefchaouen, iríamos parar no sítio arqueológico de Volubilis a caminho de Fez. As ruínas desta antiga cidade romana têm sido bem preservadas, e são um dos principais pontos arqueológicos de Marrocos. No entanto, a chuva continuava a perseguir-nos e caía com grande intensidade, pelo que seguimos caminho directamente até Fez.

Após 5 horas de viagem, finalmente chegámos a Fez, já no final da tarde. A chuva, essa, não parava. Assim, recolhemo-nos no hotel e deixámos a cidade para o dia seguinte.

Dormida em Fez: Riad Arabesque

Alojamento em Fez

Chefchaouen 03 Marrocos Mundo Indefinido
Medina 02 Chefchaouen Marrocos Mundo Indefinido

Dia 5: Fez

O quinto dia amanheceu com um presente: o sol reinava os céus. Partimos, então, à descoberta de Fez, acompanhados por um guia local.

Estivemos o dia todo a percorrer Fez, sendo que o Palácio Real foi o primeiro ponto de paragem. Embora o seu interior não esteja aberto ao público, os portões merecem uma visita. Os portões encontram-se muito próximos do Mellah, um dos mais antigos bairros judaicos de Marrocos. Seguimos, a pé, observando a envolvência.

Depois, fomos até à parte antiga de Fez, ou Fez el-Bali. Aqui, vimos a Bab Bou Jeloud, a entrada icónica para a medina. Fomos também até à Madraça Bou Inania, uma antiga escola islâmica. Construída no século XIV, é um bonito exemplar da arquitectura Merínida.

Depois de um típico almoço marroquino, seguimos até ao curtume de Chouara. Existem três curtumes em Fez, mas este é o maior e um dos mais antigos da cidade. Aqui, as peles são tratadas e tingidas com tintas naturais em grandes tanques de pedra. Para as cores se fixarem melhor nas peças, é usado excremento de pombo.

Um dos meus lugares preferidos de Fez, no entanto, é a Universidade Al Quaraouiyine. Fundada no século IX por Fatima al-Fihri, é reconhecida pela UNESCO como a universidade mais antiga do Mundo ainda em funcionamento.

Para termos uma vista panorâmica de cidade, fomos até à colina dos Túmulos Merínidas. Os túmulos, esses, são do século XIV e foram construídos para acolher os membros da dinastia Merínida. Infelizmente, não estão muito bem cuidados.

Tivemos, ainda, oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a incrível produção de cerâmica e azulejaria de Fez. Visitámos a Art Naji, uma das oficinas de cerâmica de Fez, onde testemunhámos a mestria e dedicação que transformam barro em autênticas obras de arte.

Dormida em Fez: Riad Arabesque

Alojamento em Fez

Colina dos Túmulos Merínidas Fez Mundo Indefinido
Palácio Real Fez Marrocos Mundo Indefinido
Universidade Al Quaraouiyine Fez Marrocos Mundo Indefinido

Dia 6: Ifrane, Vale do Ziz, e Erg Chebbi (Saara)

No sexto dia tínhamos Erg Chebbi como destino. Mas a viagem de Fez até ao deserto era longa, e iria ter algumas paragens pelo caminho, a começar por Ifrane. Esta cidade é uma estância de ski durante os meses mais frios, e é casa do macaco-de-gibraltar. Ao nos verem chegar, os macacos querem interagir connosco — em especial se tivermos amendoins para lhes oferecer.

De Ifrane fomos até ao Vale do Ziz, um magnífico oásis recheado de palmeiras, que contrastam com o tom árido do resto da paisagem. O rio Ziz é o responsável por esta mancha verde no meio do deserto.

Daqui, continuámos caminho até Merzouga. No extremo sudeste de Marrocos, bem próximo da fronteira com a Argélia, ergue-se um dos cenários mais impressionantes que alguma vez vi: Erg Chebbi, ou dunas de Merzouga. Com picos que atingem os 150 metros de altura e uma extensão de cerca de 22 quilómetros, este mar de areia dourada é absolutamente magnífico.

Íamos passar a noite num acampamento no meio do Saara. Foram cerca de duas horas a percorrer as dunas, a um ritmo lento, enquanto escutávamos o silêncio do deserto e apreciávamos o pôr-do-sol. Quando a escuridão caiu, chegámos ao acampamento. As tendas são estruturas firmes com casa-de-banho e cama, decoradas com almofadas que criam um ambiente acolhedor.

Dormida em Merzouga: Hotel Yasmina (tendas)

Alojamento em Merzouga

Ifrane Macacos de Gibraltar 01 Marrocos Mundo Indefinido
Ifrane Macacos de Gibraltar 02 Marrocos Mundo Indefinido
Vale do Ziz Marrocos Mundo Indefinido
Erg Chebbi Merzouga Marrocos Mundo Indefinido

Dia 7: Erg Chebbi, Oásis Hassilabied e espectáculo Gnawa em Khamlia

Na manhã do sétimo dia regressámos do acampamento até ao hotel. A noite seria passada no hotel, mas o dia teria várias actividades.

Aproveitámos para tomar um banho, uma vez que a areia se tinha infiltrado em tudo, e partimos até ao Oásis Hassilabied, onde os rios subterrâneos contribuem para o verde da paisagem. Visitámos ainda Khamlia, a aldeia dos músicos Gnawa, onde assistimos a um espectáculo de música enraizado na cultura africana subsaariana.

Ao regressar ao hotel, passámos mais umas horas a observar as dunas e a imensidão do deserto. Dizem que este é um daqueles lugares onde temos de ir uma vez na vida. Para mim, ficou a promessa de voltar.

Dormida em Merzouga: Hotel Yasmina (quarto)

Alojamento em Merzouga

Erg Chebbi Merzouga Saara 01 Marrocos Mundo Indefinido
Erg Chebbi Merzouga Saara 10 Marrocos Mundo Indefinido
Espectáculo Gnawa Khamlia Marrocos Mundo Indefinido

Dia 8: Gargantas do Todra, Vale de Dades, e Ouarzazate

No oitavo dia era altura de dizer adeus ao deserto, e seguir em direcção a Ouarzazate, não sem antes fazer algumas paragens pelo caminho. A primeira foi logo em Rissani, uma pequena cidade que é hoje um local de passagem para quem vai ou vem do Saara, mas que outrora foi um importante centro comercial e espiritual.

Embora sem a movimentação de outros tempos, a Mesquita e Mausoléu de Moulay Ali Cherif contribuem, ainda, para que Rissani se mantenha um local de culto e peregrinação para muitos marroquinos.

Para além disso, a produção de tâmaras, grandes e muito saborosas, tornou-se uma actividade económica importante de Rissani. Assim, numa visita ao mercado da cidade, não resistimos e cada um de nós comprou um quilo de tâmaras para levar.

De Rissano seguimos viagem até Tinghir e às magníficas Gargantas do Todra. Localizadas na parte oriental das montanhas do Alto Atlas, estas formações rochosas foram esculpidas pela acção do rio Todra.

A cor das rochas varia entre tons de vermelho, laranja e castanho, dependendo da luz do sol, criando um espectáculo que muda ao longo do dia. O desfiladeiro estende-se por vários quilómetros, mas é na sua secção final, onde as rochas se elevam até 300 metros de altura, que a paisagem se torna verdadeiramente impressionante.

Quando finalmente chegámos a Ouarzazate, o sol já se tinha posto. Demos um pequeno passeio pela cidade, e fomos descansar. A nossa viagem já se estava a aproximar do fim.

Dormida em Ouarzazate: Dar Rita

Alojamento em Ouarzazate

Mesquita Moulay Ali Cherif
Tinghir 01 Marrocos Mundo Indefinido
Gargantas do Todra 01 Marrocos Mundo Indefinido
Gargantas do Todra 02 Marrocos Mundo Indefinido

Dia 9: Alcácer (Ksar) Aït-Ben-Haddou e Marraquexe

No nono e último dia desta viagem, percorremos lentamente o caminho que separa Ouarzazate de Marraquexe. Fizemos uma pequena paragem no Kasbah Taourirt e fomos visitar os Estúdios Atlas. Se estivesse a planear esta rota novamente, provavelmente não incluiria os estúdios. Mas diria que é uma visita interessante para amantes de cinema e, talvez, para crianças.

Um dos pontos altos deste dia, no entanto, foi o Alcácer (Ksar) Aït-Ben-Haddou. Este alcácer encontra-se na antiga rota das caravanas que fazia a ligação entre o deserto e a cidade de Marraquexe. Fundada em 757, esta cidade fortificada começou como local de habitação de apenas uma família, mas a povoação foi crescendo até ao seu tamanho actual.

As ruelas e as fachadas dos edifícios transportam-nos para um outro mundo, uma outra forma de viver. Todavia, o alcácer hoje está praticamente despovoado. A maioria dos habitantes vive agora numa aldeia mais moderna, no outro lado do rio. Ainda assim, existem algumas família a viver dentro do alcácer.

Fizemos a viagem de regresso a Marraquexe satisfeitos com tudo o que vimos e vivemos. De Marraquexe, voltámos para Lisboa, depois de uma viagem inesquecível por Marrocos. Sei que não foi a minha última vez e que voltarei a este país fascinante. Afinal, e apesar de já ter estado em diversas cidades marroquinas, muito mais há para conhecer.

Kasbah Taourirt Marrocos Mundo Indefinidoi
Aït-Ben-Haddou 01 Ouarzazate Marrocos Mundo Indefinido

Guia prático

Como chegar

Marraquexe é, para a maioria das pessoas, a porta de entrada para Marrocos. Existem voos directos de Lisboa e do Porto para Marraquexe, operados por diversas companhias aéreas, incluindo companhias de baixo custo. Também é possível voar para Tânger, Casablanca, ou Agadir.

Uma outra alternativa é chegar a Marrocos de barco, indo de Tarifa (Espanha) até Tânger, numa viagem bastante tranquila que dura uma hora. A viagem desde Algeciras tem como destino um porto mais afastado do centro de Tânger, pelo que recomendo ir por Tarifa. Os bilhetes podem ser comprados online, directamente na página web da empresa FRS.

A forma mais prática e cómoda de percorrer Marrocos é em carro próprio (vindo no tal barco desde Espanha) ou em carro alugado. É a opção que dará mais liberdade, mas é preciso ter em atenção que nem todas as estradas marroquinas têm boas condições, e o trânsito pode ser desafiante, em particular em grandes cidades como Casablanca ou Marraquexe.

Mapa com o roteiro em Marrocos

Alojamento

Em Marrocos o que não falta são opções de locais onde ficar. Recomendo todos os locais onde pernoitei, cujas localizações estão marcadas no mapa acima. Como regra, em qualquer cidade marroquina aconselho a ficar na zona da medina (centro histórico), especialmente num riad. São habitações típicas marroquinas, fechadas para o exterior e com um pátio interior central, com azulejos, fontes e jardins.

Qualquer que seja a opção, o preferível será sempre reservar com alguma antecedência, pois os melhores alojamentos tendem a ficar ocupados rapidamente.

Alojamento em Marrocos

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