O lado mais espiritual de Pequim, no Templo do Céu

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O Parque do Templo do Céu (天坛, Tiāntán) tem uma dimensão gigantesca: 267 hectares, qualquer coisa como 373 campos de futebol! Estende-se para lá do que a vista alcança, desafiando-nos a percorrer todos os seus recantos. Aceitámos o desafio, e começámos a explorar.

É tanta a vida que se encontra por ali! Há algo a acontecer para onde quer que olhe, e torna-se difícil concentrar-me num só evento. O meu olhar deambula, salta, perde-se no meio de tanta actividade para absorver.

Alguns senhores jogam às cartas, enquanto outros jogam damas. Mas os jogos que me são familiares terminam por aqui. Numa mesa, várias pessoas jogam com peças que nunca tinha visto, num tabuleiro que, também ele, me é desconhecido.

Não havendo mesas livres, pequenos muros servem o mesmo propósito. O objectivo? Passar bons momentos com a família, amigos, ou até alguns desconhecidos (que rapidamente se tornam companheiros).

Ao lado, um grupo exercita o corpo, renovando energias a cada movimento, suave como a água. Parece-me Tai Chi Chuan, mas não tenho a certeza. Crianças correm e riem, algumas brincam com bolas ou balões.

Toda aquela movimentação quase me fez esquecer o nosso objectivo. O que nos tinha levado ali, em primeiro lugar, era a tão conhecida Sala das Orações pelas Boas Colheitas. Só que há muito mais para ver!

Mas o que é o Templo do Céu?

O Templo do Céu, considerado Património da Humanidade pela UNESCO em 1998, é o maior conjunto de templos taoístas de toda a China. Foi construído em 1420, durante a dinastia Ming. No entanto, a maior parte das estruturas que vemos hoje são da dinastia seguinte, Qing.

Os imperadores destas dinastias (as duas últimas dinastias chinesas) visitavam os templos para adorar o Céu. Na primavera, pediam boas colheitas, e no outono agradeciam os frutos e cereais que obtiveram.

Este complexo está rodeado por muralhas. A norte, a muralha tem uma forma semi-circular, enquanto que a sul é quadrangular. Em tempos idos, acreditava-se que o Céu (a norte) era redondo, enquanto que a Terra (a sul) era quadrada. Em mandarim, diz-se Tiānyuán Dìfāng (天圆地方). As muralhas são símbolo disso.

Hoje, o Parque do Templo do Céu é usado por muitas famílias como local de passeio. Tem gente. Muita gente. Gente a mais. Que fala, grita, corre para tirar fotografias. Em particular nos jardins, e junto aos principais templos. Mesmo assim, devido à dimensão do complexo, não foi difícil encontrar algumas zonas sem ninguém. Sim, elas existem. E sabem tão bem!

O Pavilhão Norte de Sacrifício de Animais (宰牲亭) e a Cozinha Divina (神厨)

Com o seu telhado verde de dois andares, o Pavilhão de Sacrifício de Animais não podia ter um nome mais explícito. Era aqui que ovelhas, coelhos, porcos, bois e veados eram sacrificados, em rituais ao Céu. Parte do pavilhão foi construída em 1420, mas o seu estado de conservação é maravilhoso, ao contrário de outros edifícios que se encontram no Templo do Céu.

Com um propósito similar, a Cozinha Divina era utilizada para preparar oferendas de cereais, vinho, jade e objectos de seda. As oferendas serviam para pedir, ao Céu, bons grãos e cereais.

O Corredor Longo (走廊)

O Corredor Longo é um dos locais mais populares do Templo do Céu. Há muita gente que se senta nos muros para jogar às cartas, ouvir rádio, ou apenas conversar. Há quem experimente movimentos de dança ou se divirta com jogos tradicionais.

O tecto deste corredor está ricamente decorado em tons de verde e azul. Algumas zonas estavam a precisar de uma pintura nova, mas não deixam de ser padrões muito bonitos.

A Sala das Orações pelas Boas Colheitas (祈年殿)

A Sala das Orações pelas Boas Colheitas é, muito provavelmente, a construção mais conhecida do Templo do Céu, e da própria cidade de Pequim. Construída inicialmente em 1420, foi só em 1751 que ganhou a forma e o nome actuais. Nessa altura, era aqui que o imperador vinha orar por boas colheitas.

A sua estrutura circular é magnífica, com três telhados azuis e uma bola dourada na sua cúpula. O mais impressionante é que o tecto é suportado pelos pilares de madeira, sem utilização de vigas ou pregos!

A Abóbada Imperial Celestial (皇穹宇)

A Abóbada Imperial Celestial tem uma construção similar ao da Sala das Orações pelas Boas Colheitas, embora numa dimensão bem mais reduzida. Foi construída inicialmente em 1530, mas o edifício actual é de 1752. Era aqui que os imperadores celebravam o solstício de inverno.

Uma das coisas mais curiosas deste espaço é o muro que se encontra à sua volta. Conhecido como muro do eco, podemo-nos colocar em qualquer ponto junto ao muro e sussurrar. A nossa voz será ouvida no ponto oposto, à distância!

O Altar Circular (圜丘坛)

O Altar Circular foi construído e reconstruído nas mesmas alturas que a Abóbada Imperial Celestial. Os imperadores vinham oferecer sacrifícios ao Céu no solstício de inverno. A acústica especial do altar permite que, ao se falar no seu centro, o som seja consideravelmente amplificado. Acreditava-se que, desta forma, as orações chegavam mais facilmente ao Céu.

Aqui, o número 9 tem uma  grande importância. Considerado pela cultura chinesa como um número com uma carga positiva muito grande, está associado a boa sorte e satisfação de longa duração.

Cada lanço das escadas que conduzem ao cimo do altar, ao ar livre, é formado por 9 degraus. O nível superior tem 9 anéis, cada um composto de múltiplos de 9 pedras. As escadas também são em múltiplos de 9!

O Palácio da Abstinência (斋宫)

Era aqui, no Palácio da Abstinência, que o imperador jejuava antes do início da Cerimónia de Adoração do Céu. Dentro do recinto do palácio existem diversos outros edifícios.

Tudo lá dentro é original, com um valor cultural enorme. Não são reproduções nem reconstruções! Infelizmente, não pudemos visitar tudo porque algumas coisas estavam fechadas…

O Pavilhão da Longevidade (双环万寿亭)

O Pavilhão da Longevidade data de 1741. Foi mandado construído pelo imperador Qiánlóng (乾隆), como celebração do 50º aniversário de sua mãe. No entanto, não se encontrava no Templo do Céu! Apenas foi movido e reconstruído aqui em 1977.

O jardim à volta deste espaço é dos mais calmos de todo o complexo. É um excelente local para descansar um pouco, e aproveitar as sombras. No verão, faz muito calor em Pequim.

Gostarias de visitar o Templo do Céu?
Se já lá estiveste, o que achaste?

Guia prático

Como chegar

O parque do Templo do Céu tem 4 entradas, todas elas acessíveis por transportes públicos. A entrada Este (a que eu utilizei) é a mais prática, porque é a única acessível por metro. Nas outras apenas passam autocarros.

  • Entrada Norte: autocarros 6, 34, 35, 36, 72, 106 ou 110; paragem Tiantanbeimen (天坛北门).
  • Entrada Sul: autocarros 36, 53, 122, 525, 958, 特3, 特11, 特12, ou 运通102; paragem Tiantannanmen (天坛南门).
  • Entrada Este: Metro linha 5, roxa; estação Tiantandongmen (天坛东门), saída A2. Autocarros 25, 36, 39, 208, 525, 610, 685, 686, 723, 827, 829, 957 ou 958; paragem Tiantandongmen (天坛东门).
  • Entrada Oeste: autocarros 2, 15, 17, 20, 36, 53, 71, 72, 93, 120, 622, ou 特11; paragem Tiantanximen (天坛西门).

Informação útil

Site: Tiantan Park
Horário: O parque em si está aberto todos os dias das 6h00 às 22h00. Os edifícios dentro do parque funcionam todos os dias das 8h00 às 17h30 (de 1 Abril a 31 de Outubro); às 17h00 (de 1 de Novembro a 31 de Março).
Preço: 15¥apenas para o parque; 34¥para o parque e edifícios em época alta || preços detalhados
Morada: Tiāntán Gongyuan, Dōngchéng Qū, Běijīng
Nota: para uma conversão actualizada de yuan para euros, vê o site xe.com.
Horários e preços à data de publicação deste artigo.

Alojamento

Quando estive em Pequim, fiquei alojada no Peking Station Hostel. Gostei imenso do espaço, e voltaria a ficar aqui. O hostel fica perto da estação de metro Dōngdān (东单, linha 1, vermelha; e linha 5, roxa), o que é uma mais-valia. O metro é das formas mais fáceis de nos deslocarmos em Pequim. Mas numa cidade tão grande como é a capital chinesa, o que não faltam são opções de alojamento. É só questão de procurar, de certeza que vais encontrar algo que te agrade.

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